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Futuro de Café

Contratos futuros para proteção e negociação dos preços do café na B3.

5 min de leitura

O café é uma das commodities agrícolas mais relevantes do Brasil, com destaque tanto para o Arábica quanto para o Conilon. A produção depende fortemente de clima, safra, estoques, oferta global e câmbio, fatores que impactam diretamente a formação de preços. Esse cenário cria volatilidade natural no mercado, especialmente em períodos de safra cheia, eventos climáticos extremos ou mudanças no fluxo de exportação.

Na B3, o Futuro de Café oferece um mecanismo estruturado para produtores, cooperativas, indústrias e investidores administrarem essa oscilação. Os contratos de Arábica e Conilon permitem fixar preços com antecedência, trazendo previsibilidade para operações agrícolas e industriais, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades de proteção e posicionamento tático no mercado.

Características do produto

Os contratos futuros de café negociados na B3 representam 100 sacas de 60 kg. Existem duas modalidades principais: o Futuro de Café Arábica, com cotação em dólares por saca, e o Futuro de Café Conilon, cotado em reais.

Na B3, esses contratos são identificados pelos códigos ICF (Arábica) e CNL (Conilon), utilizados tanto na tela de negociação quanto nas análises de mercado. Cada contrato segue especificações publicadas pela B3, que definem o tamanho, a metodologia de cotação, os meses de vencimento, o valor mínimo de oscilação e as regras de liquidação.

No Futuro de Café Arábica (ICF), os vencimentos acontecem nos meses de março, maio, julho, setembro e dezembro     , seguindo o calendário padrão da B3. Já no Futuro de Café Conilon (CNL), os vencimentos ocorrem em janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro, facilitando o planejamento de safra e comercialização.

As operações exigem margem de garantia, calculada conforme critérios definidos pela B3. Os contratos também passam por ajuste diário, que credita ou debita o investidor com base na variação do preço de ajuste. Essa mecânica é padrão no mercado futuro e permite controle de risco ao longo da vida do contrato.

No contrato de Conilon (CNL), o tick size (a mínima variação de preço) é de R$ 0,01 por saca, conforme padrão de cotação definido pela B3. Para o contrato de Arábica (ICF), o tick size é de US$ 0,05 por saca.

O investidor pode encerrar a operação antes do vencimento, realizando o resultado financeiro do período, ou seguir até a liquidação conforme as regras específicas de cada contrato. Em ambos os contratos, a liquidação é exclusivamente física.    

A negociação é realizada via corretoras autorizadas, durante o pregão eletrônico da B3, com códigos específicos para cada tipo de contrato (ICF para Arábica e CNL para Conilon).

Tributação

Os contratos futuros de commodities seguem a regra geral da tributação de renda variável. O Imposto de Renda incide sobre o ganho líquido das operações. Para day trade, a alíquota é de 20 por cento. Para operações comuns, a alíquota é de 15 por cento. Não há isenção mensal por volume negociado. A apuração e o recolhimento são responsabilidade do investidor, que deve emitir a DARF conforme as normas da Receita Federal.

Aplicações práticas

Os contratos futuros de café atendem a necessidades diferentes dentro da cadeia produtiva e do mercado financeiro. Para produtores rurais, funcionam como instrumento de proteção contra quedas de preço, permitindo travar parte da receita esperada antes da colheita. Essa previsibilidade ajuda no planejamento da safra e na gestão das margens em períodos de volatilidade climática ou cambial.

Indústrias, torrefações e cooperativas utilizam esses contratos para reduzir a incerteza do custo de reposição do café, especialmente em momentos de oferta apertada ou de variações no mercado internacional. Exportadores e traders também recorrem ao Futuro de Café para alinhar suas operações ao preço do mercado global, evitando discrepâncias entre o valor físico e o valor futuro.

Para investidores pessoa física mais experientes, o contrato oferece uma forma de obter exposição tática à commodity. Essa exposição pode ser usada para diversificação, operações de curto prazo ou posicionamento em ciclos de oferta e demanda influenciados por clima, safra ou câmbio.

Estratégias de uso

Produtores, cooperativas e indústrias podem:

  • proteger receitas ou custos ao firmar posições que antecipam preços futuros;
  • ajustar o planejamento de safra e logística com base em um valor previamente definido;
  • operar ciclos de oferta e demanda conforme projeções para clima, estoque e colheita;
  • utilizar diferenças entre contratos de Arábica e Conilon para estruturar operações relativas.

Todas as estratégias dependem da avaliação das condições de mercado, do comportamento do ajuste diário e da relação entre o preço físico e o preço futuro.

Pontos de atenção

  • volatilidade elevada pode aumentar o risco financeiro das operações;
  • exigência de margem pode gerar chamadas adicionais em cenários adversos;
  • ajuste diário pode resultar em débitos sucessivos mesmo quando a estratégia é de longo prazo;
  • contratos com entrega física exigem atenção às regras e prazos definidos pela B3.

A gestão eficiente requer análise da safra, das condições climáticas, da taxa de câmbio e das especificações técnicas de cada contrato.

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Acesse:
https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/commodities/ficha-do-produto-8AA8D0CD95C8AFE30196115C01312626.htm

Veja também:

  • Futuro de Boi Gordo
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